O suficiente

por valeriamidena em janeiro 14, 2011

Piet Mondrian :: Composition C :: 1935


Assisti aos minutos finais da entrevista de Roberto DaMatta no programa Roda Viva, da TV Cultura, no último dia 10 de janeiro. E desde então tenho pensado numa colocação feita por ele com muita propriedade: “O ser humano precisa aprender o significado da palavra ‘suficiente’. O que é suficiente para mim? O que me basta? Esta pergunta é fundamental, terrível, crítica.”

Vivemos numa época em que quase não há espaço para reflexão, e determinadas maneiras de ser e de ter são difundidas como verdades únicas: a roupa que se ‘deve’ usar, o carro que se ‘deve’ ter, a música que se ‘deve’ ouvir, o lugar para o qual se ‘deve’ viajar… Tantos saem reproduzindo tais “verdades” sem qualquer reflexão ou questionamento! E, pior, tantos outros sofrem e se culpam por não conseguirem reproduzir um determinado ‘ser’ ou deteminado ‘ter’!

Buscar algo sem ter consciência do quão suficiente ele é só faz aumentar, em cada um de nós, a insatisfação e a angústia – pois a conquista do que não queremos não traz à alma qualquer prazer.

Ter consciência daquilo que nos é suficiente equivale a ter liberdade. Olhar para dentro de si e perceber qual a medida e qual a maneira daquilo que queremos ter, ser, usar, sentir ou ouvir, é a única forma de ampliar os prazeres que nós mesmos podemos, a cada dia, ofertar à nossa alma.

One comment

adorei! sem duvida, saber o que é suficiente para cada um de nós é uma expressão de liberdade…

by Ivana on 4-8-2011 at 14:25:43. Responder #

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