Do vestir

por valeriamidena em janeiro 31, 2011

Iris Apfel :: ©IntoTheGloss

No texto “Dos prazeres da variedade”, Montesquieu escreve: “As histórias nos agradam pela variedade do que contam; os romances, pela variedade dos prodígios narrados; as peças de teatro, pela variedade das paixões; do mesmo modo, aqueles que sabem instruir modificam, tanto quanto possível, o tom uniforme da instrução. Uma uniformidade prolongada torna tudo insuportável…”

Já há algum tempo observo a uniformidade que tomou conta do vestir urbano. Fosse criado hoje, o ditado seria “dize-me com quem andas que direi como te vestes…” Tenho dificuldade de entender o que me parece uma ânsia coletiva pela reprodução de um padrão único. Entendo-a como uma inversão do que seria o natural – a expressão da individualidade.

Raros os que percebem que a beleza que atrai é a que advém do particular e único. E que é a partir da harmonia entre o jeito único de ser e o jeito único de vestir que se constrói a elegância.

A uniformidade do vestir gera monotonia e não proporciona prazer algum, pois se opõe justamente à natureza humana: somos únicos em nossa imagem e únicos em nosso jeito de ser. E é sabermo-nos únicos que proporciona à nossa alma conforto e imenso prazer.

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