Sem sapatos

por valeriamidena em fevereiro 6, 2011

Uma das imagens mais associadas à ideia de liberdade é a imagem de alguém descalço. Além de parecer uma certa forma de irreverência e não-obediência a padrões estabelecidos, caminhar sem sapatos é, de fato, um ato capaz de proporcionar sensações muito prazerosas de bem-estar físico, conforto e relaxamento. As explicações são inúmeras, das científicas às místicas.

Nossos pés são estruturas complexas e repletas de terminações nervosas que se conectam, por meio de ramificações, a diversos órgãos do corpo, à coluna vertebral, à cabeça e aos membros superiores e inferiores. A prática de cuidar do corpo pelo ato de tocar e estimular essas terminações tem o nome de reflexologia e vem sendo utilizada nas culturas orientais há milhares de anos. Caminhar sem sapatos, especialmente sobre superfícies mais irregulares (areia, pequenas pedras, grama), nos faz massagear diferentes pontos do pé e estimular diferentes partes do corpo, favorecendo o bom funcionamento do organismo e estimulando a capacidade de concentração, a coordenação motora, a mobilidade e o equilíbrio.

Outros dizem que, ao pisarmos sobre solo úmido com pés descalços, descarregamos na terra o excesso de eletricidade estática corporal acumulada, obtendo dessa forma a sensação de relaxamento.

Já os mais místicos falam que ao caminhar descalços aumentamos o fluxo de nossa energia vital (ou nosso Chi, Qi, Prana, Baraka ou Orenda, entre outros sinônimos), pelo contato direto que estabelecemos com a Terra, uma de suas fontes naturais – e o prazer que sentimos viria justamente do restabelecimento dessa conexão com o universo natural a que pertencemos.

Discutir e investigar as fontes de nossos prazeres é, muitas vezes, apenas saber identificar essas fontes, pois assim podemos ampliar o espaço que elas ocupam em nossas vidas. Nem sempre importam suas origens ou a decodificação de seus processos… mas importa estarmos atentos às suas manifestações, garantindo que continuem vivas e presentes em nosso cotidiano. (Particularmente, a mim importa garantir que em alguns minutos de meu dia eu possa caminhar sem meus sapatos – proporcionando a mim mesma, e de maneira muito simples, momentos de grande prazer.)

One comment

Valéria, de onde vem toda sua sensibilidade para todos os assuntos!
A D O R O!

by Ana Carolina De Simone on 4-13-2011 at 03:50:27. Responder #

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